Não me faltam motivos pra ir pra Pasárgada, porque lá além de eu ser amiga do rei, aqui as coisas não andam muito bem!
Acreditem, não sou uma pessoa pra lá de otimista. Eu balanço (libriana) muito bem ambos os lados e sei que depois das desgraças vem a bonança. Isso é proporcional, maior a desgraça, maior a bonança!
Caros, o que essa crise tem a nos oferecer senão uma grande bonança vindo por aí no futuro?
Quando? Aí já é demais pra uma simples arquiteta prever!
O quanto antes, quando menos se esperar aparecerá um anjo (após muitas preces) q nos indicará o caminho e nos puxará junto a ele num lugar aonde reinaremos juntos!
Obrigado viu anjinho!!! Você é um imã humano! Merece muito confete!
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar—
Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
segunda-feira, 2 de março de 2009
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